1º DIA | TURMA 82.05

1º DIA DE OBSERVAÇÃO NA TURMA 82.05 (02 AULAS)

O DESENVOLVIMENTO DA AULA

Ainda no primeiro dia (23/11/22) conheci a segunda turma, a 82.95. Estavam presente 17 alunos, em sua maioria, mulheres. Essa foi a segunda diferença que notei no perfil da turma. A primeira foi o perfil comportamental ao me receber, talvez essa nem seja a palavra, pois eu não fui recebida na turma. Eu tentei me apresentar mas não me davam abertura nem atenção, então procurei uma carteira para me sentar, alguns me olhavam com certo "deboche", uns dois alunos falaram comigo de forma gentil, uma outra aluna perguntou para o professor, gritando "quem é essa aí?", e então o professor me apresentou como estagiária. Eu sentei num canto e os alunos que estavam na frente, pareciam se incomodar e se distanciaram. Estou relatando isso pois é uma diferença significativa do comportamento das duas turmas, eu me senti normal na primeira turma, eu estava ali aprendendo, trabalhando. Na segunda turma, em um momento parecia que eu tinha voltado a escola e me sentia acuada pelos olhares e o clima, que vou detalhar melhor ao relatar a aula. Contudo, já explico que relatei a minha sensação, sentimentos. Racionalmente, como adulta e profissional da educação em formação, eu não espero maturidade de crianças, eu sabia e sei que trabalharei com crianças, jovens e adultos com diferentes personalidades e demais singularidades, esse estranhamento da parte dos alunos já era esperado.
O conteúdo de aula foi exatamente o mesmo da outra turma. O texto "The Park", porém a condução da aula foi diferente.

A princípio, o desenvolvimento da aula seria o mesmo, como o professor havia me falado durante o intervalo, mas ele também me avisou que a turma era discrepante da outra, então ele já estava preparado para fazer as mudanças necessárias.

Assim que o professor falou sobre a atividade do dia, ouvi comentários como "ah não" e "que coisa mais chata", também vi reviradas de olhos, mas essas reações não se comparam com as que observei ao longo da aula (estou rindo de nervoso internamente). O professor projetou o texto na parede para que pudessem iniciar atividade, assim como na outra turma. Foi proposto que fizessem a garimpagem de palavras, uma lista das quais eles reconheciam. A lista com mais palavras tinha 8, a média deve ter sido 4, e teve alunos com 1 ou nenhuma palavra. Acho importante citar que os alunos demoraram mais para fazer essa atividade, muitos não queriam fazer e reclamaram, outros fizeram mesmo sem querer enquanto conversavam, observei 6 alunos que fizeram sem reclamar e com dedicação. Após a garimpagem, o professor propôs a dinâmica de um aluno falar uma palavra em inglês e o outro significado em português. Aqui notei a mudança adotada pelo professor, na outra turma era uma frase inteira, nesta foi palavra por palavra, e mesmo assim demonstraram muita dificuldade. O professor leu o texto em voz alta e tentou induzir a acharem mais, tentando relembrar de aulas passadas, fazendo associações, mímicas, e não deu muito certo.

Posteriormente, foi pedido para que tentassem ler o texto em inglês, mas eles falaram que não conseguiam, então o professor leu novamente o texto para tentar ajudar ao longo da leitura, não teve retorno quanto as palavras, então passou a tentar trabalhar o speaking, fazendo uma leitura conjunta, ele lia e os alunos repetiam, poucos participaram, alguns estavam absortos e o restante conversando.  Eu acabei me ligando que muitos pareciam com medo de falar, e não pelo professor, que repetia que o importante era tentar mesmo se houvesse erros, eles tinham medo dos colegas, nessa turma eu vi um grupo de meninos fazendo chacota com os demais, rindo e chamando de burro, os risos debochados desse grupinho enquanto uma aluna tentava pronunciar foi de cortar o coração, me doeu mesmo.

Depois, o professor pediu que lessem o texto em português e ninguém quis, para facilitar ele perguntou sobre o que era o texto, poucos tentaram falar, foram resposta como "é sobre o amor" "é sobre uma mulher linda" "é sobre cachorro", o que me deixou um pouco triste, pois mesmo que não soubessem o texto, no título tem um cognato e ainda estava traduzido em parênteses, nenhum respondeu que era sobre um parque, isso já seria um direcionamento. Visto a dificuldade, o professor pediu para que fizessem a tradução do texto com o auxílio de dicionários, sem usar tradutor. Foi uma atividade lenta, a turma apresentou bastante dificuldade, vi que os poucos que se arriscaram a falar tinham dificuldade em diferenciar verbo de substantivo, não lembravam do verbo to be e nem a conjugação da terceira pessoa do singular no simple present, alguns achavam que era simple past. O professor foi ajudando e corrigindo cada um que terminava a atividade.

Numa última tentativa de trabalhar o speaking, o professor falou que quem lesse o texto com no máximo três erros de pronuncia (devo dizer erros incompreensíveis, o tipo de erro que não tem como deixar passar) ganharia um ponto. Eu pensei "nossa, agora sim eles vão fazer de tudo pra ler esse texto", engano meu, e do professor Fabio. Ah, que terrível engano, completamente triste! Apenas 04 alunos tentaram. QUATRO! E só 3 conseguiram (com erros leve). Eu fiquei pensando em como será a minha prática docente, em como lidar com uma turma assim, pois na minha mente os alunos mesmo não tendo interesse em aprender a língua, ao menos teriam interesse em obter uma boa nota para passar de ano, mas nem isso essa turma demonstrou ter. 

Para a próxima semana, foi lançado um desafio super interessante (pelo menos para mim né): um tour em inglês pela escola!. A turma se dividiria em grupos de acordo com a preferência deles, cada grupo escolheria uma parte da escola e se encarregaria de elaborar uma pequena apresentação em inglês daquela parte, por exemplo, a cantina e a biblioteca. Eles simulariam uma excursão, alguns falariam em inglês e outros como o tradutor do grupo. Eles deveriam preparar o texto e enviar para o professor para que ele fizesse as devidas correções, na próxima semana seria o tour.

INFRAESTRUTURA DA SALA DE AULA

Sala de tamanho mediano, pintura relativamente nova, com alguns pontos sujos, rabiscos, duas janelas grandes mas de abertura pequena, uma porta, um quadro branco, forro com alguns quebrados, o professor me falou que chove dentro da sala através desses pontos, boa iluminação, 3 ventiladores bem distribuídos, ventilam bem mas o barulho é alto, mas mais baixo se comparado aos da outra turma, uma parede tem pintura elaborada, formas geométricas em tons de cinza. As carteiras do tipo mesa e cadeira, de plástico e metal, rabiscadas porém em aceitável estado de uso, há menos carteiras em sala distribuídas de acordo a preferência dos alunos, em grupinhos.

Comments